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Taxas e custos

Mercado Livre: a tarifa é 14%, mas o frete custa 19,7%

Em 3.970 vendas medidas, a tarifa do Mercado Livre foi 14,21% e o frete 19,70% — o frete custa mais que a comissão. E ele desaba conforme o ticket sobe.

Daniel Leite
Arte do Lucra AI com o número 19,70% em destaque e a frase: é o frete, e a tarifa é só 14,21%. Abaixo, a origem do dado: 3.970 vendas reais em 180 dias.

Todo vendedor do Mercado Livre sabe quanto é a tarifa. Quase nenhum sabe quanto é o frete — e, na média medida aqui, o frete custou mais caro que a comissão da plataforma.

Os números abaixo saíram de 3.970 pedidos reais, somando R$ 324.213,17 em 180 dias, lidos pela API oficial do Mercado Livre.

Os dois números

Tarifa de venda: 14,21% da receita.
Frete: 19,70% da receita.
Juntos: 33,91%.

A tarifa é a que todo mundo discute. O frete é a que decide.

E repare no total: um terço da receita sai antes de entrar o custo do produto. É praticamente o mesmo peso que a Shopee retém em vendas de perfil parecido. As duas plataformas chegam a lugares semelhantes por caminhos completamente diferentes.

O frete desaba conforme o ticket sobe

Aqui está o achado que muda decisão. Separando os mesmos pedidos por faixa de preço:

Até R$ 79 — 1.804 pedidos. Tarifa 14,18%, frete 22,00%.
De R$ 79 a R$ 200 — 2.144 pedidos. Tarifa 14,18%, frete 19,18%.
Acima de R$ 200 — 22 pedidos. Tarifa 15,71%, frete 9,28%.

A tarifa é praticamente plana: 14,18% nas duas primeiras faixas. Ela é percentual, então se comporta como percentual.

O frete, não. Ele cai de 22% para 9,28% — quase 13 pontos de margem, vindos do mesmo produto, na mesma conta, no mesmo mês. Porque o custo de enviar uma caixa não aumenta proporcionalmente ao preço do que está dentro dela.

Vender barato no Mercado Livre é caro. Não por causa da comissão: por causa da caixa.

Por que isso é contraintuitivo

O instinto do vendedor é mexer na comissão: mudar de categoria, negociar, migrar entre clássico e premium. É a linha que a plataforma mostra, então é a linha que se discute.

Mas os dados dizem que a comissão é a parte estável da conta. Quem move a margem de verdade é o frete — e o frete responde a coisas que não parecem financeiras: o peso da embalagem, a distância do comprador e, acima de tudo, o preço do produto.

Uma loja de ticket R$ 60 que consegue subir para R$ 85 (com kit, com combo, com um item melhor) não ganhou só os R$ 25 de diferença. Ela saiu de uma faixa onde o frete come 22% para uma onde ele come 19,18%.

Uma ressalva honesta

As 22 vendas acima de R$ 200 são poucas para virar regra, e seria desonesto apresentá-las como se fossem. A faixa está aqui porque a direção que ela mostra se repete em todas as lojas que eu já olhei — mas o número exato daquela linha é o menos confiável do artigo.

As duas primeiras faixas, com 1.804 e 2.144 pedidos, essas se sustentam.

O que fazer com isso

Calcule a sua margem por FAIXA de ticket, não na média. A média esconde que você provavelmente tem um negócio lucrativo e um deficitário convivendo na mesma conta.
Trate o frete como variável de precificação, e não como custo fixo. Ele é o maior item da sua conta e o mais sensível ao preço do produto.
Antes de cortar preço para vender mais, veja em que faixa isso te coloca. Baixar de R$ 82 para R$ 75 pode parecer promoção e ser prejuízo.
Os dados deste artigo vêm de contas conectadas ao Lucra AI, agregados e sem qualquer identificação de loja. O Lucra AI lê tarifa e frete pedido a pedido pela API oficial do Mercado Livre, e mostra, para cada venda, quanto sobrou depois de tudo.

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